quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A procura


Sei, que de alguma forma material esse meu desejo, esse meu lampejo dessa existência sonhadora deve existir desprendido de mim mesma...
Sei, que em algum lugar deve estar essa centelha até outrora inexplorada e jamais perscrutada por ninguém da forma que hoje eu o faço, buscando estar focada sob sua luz existencial...
Sei, que em algum momento essa parte fundamental do meu entendimento pleno da felicidade será despejado sobre mim como chuva, caída de um gigantesco balde-nuvem que há tempos está prestes a transbordar, pois sinto o seu gotejar,o tilintar de seu “eu sou você ” em meu “você sou eu” sendo “você” o isto ou aquilo que for, pois para que esteja, basta que eu me seja...
Sei, que na dimensão da minha órbita circula suave e silencioso esse agudo "reflexo" existencial puramente peça, parte do quebra-cabeça incompleto da minha retina, do meu paladar, do meu tímpano, da minha narina, da minha impressão digital, ou seja, dos meus sentidos que juntos, desejam ardentemente provar a inebriante essência dessa tão singular e tempestuosa existência escondida...
Sei, mesmo não sabendo o quê, nem onde, nem quando, nem como, apenas sei e por enquanto garimpo, infiltro e escavo selvagemente as entranhas da terra sob os meus pés, percorro insistentemente o labirinto das camadas existenciais na ânsia de encontrar a arca perdida em passados longínquos, de onde está sendo exalado o perfume das regiões desconhecidas do infinito, anunciando finalmente o retorno que me conduz ao rastro do fim da procura... Antiga procura...
Sei e sabendo vou, enviando desejos-asas aos ares do vento para que a mim tracem o mapa das estrelas que me guiará até sua parte matéria, por enquanto em meu olhar poeira cósmica e lunar, lembrança visionária... Quando poderei beber, saborear da sua porção de estado essencialmente estrela minha? Quando finalmente provará do elixir guardado nos recôncavos perdidos do meu ser? Partícula criativa que me sacia e alivia, ausência tua que me agonia...
Vêm, materialize-se sobre mim e deixe-me diluir sobre você!E para sempre estarei você, viverei você... Escreverei você...

Sunna França

2 comentários:

Anônimo disse...

Ma.ra.vi.lho.so!!!! Quando...? Essa é a pergunta mútua!!!!

Maria(UFBA) disse...

Texto muito bom...Dotado de uma intelectualidade criativa e cativante explicita e ao mesmo tempo de um mistério curioso e questionador!Nos conduz ao raro ato de pensar profundamente!
Muito bom!

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