quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Dia triste...


Ela acordou sentindo em seu corpo o peso da dor que a estava consumindo... Olhou através da janela e o céu estava nublado, enegrecido pela neblina maldita da crueldade que insistia em machucá-la. Tentou levantar-se, mas a sensação de paralisia tomava conta de todo o seu corpo inerte.

Olhou em sua volta e percebeu que aquela neblina insólita estava o seu espaço a invadir. Esforçou-se mais uma vez para levantar-se,sentia suas pernas enfraquecidas,seus olhos possuídos pela aura da dor e seu coração com aquela arritimia que lhe travava o bater...Arrastou-se lentamente até o espelho,sentindo que algo horrível estava acontecendo... Foi quando ao contemplar-se percebeu que o pior mais uma vez havia ocorrido,algo terrível, pérfido e nulo,uma verdadeira anátema para a sua existência...Sentiu um arrepio insuportável e frio percorrendo toda a sua alma...

As paredes do quarto tornaram-se como cubos de gelo,o ar seco a sufocava e a cada instante que olhava a si mesma no espelho, a nua e crua realidade lhe caía sobre as costas com o peso de uma enorme cruz... Olhava estagnada, sem ainda acreditar...Tocava com as mãos e viu que estava vivendo um triste pesadelo,mas, acordada...

Era verdade,haviam-lhe outra vez cruelmente cortado as suas asas tão preciosas,que tanto esperou a crescer novamente. Cortaram-lhe o seu véu enluarado, sua seda furta-cor que se estendia sobre suas costas... O seu mais doce e lírico veículo.

O desespero tomava conta de seu coração que parecia saltar no seu peito causando-lhe dores e um aperto terrível... A tristeza instalou-se em seu eu de forma cruel... Arrancaram-lhe suas asas ,seu cristal invisível,que a transportava ao seu mundo colorido... Agora estaria condenada à realidade. E com lágrimas de sangue nos olhos lembrou-se das paisagens que havia pintado em seu interior, na qual todas as noites sobrevoava com suas asas que soltavam o pó mágico lunar da transformação.

Lembrava aos prantos dos lugares lindos na qual jamais poderia regressar, onde havia sol à noite, liberando sobre o mar seus raios dourados misturando-se a prata lunar que brilhante tocava o mar que forte á abraçava com suas ondas doces como o mel.
Vários arco-íris coloriam a noite-dia que salpicava de estrela a terra.Cavalos alados sobrevoavam por entre nuvens cintilantes.Uma sinfonia era tocada ao longe com notas melódicas e suaves,flores coloridas e todas as espécies de borboletas faziam parte daquele cenário mágico, tela sobrenatural, única, sem igual.

Ela tentou voltar a si e pensou que algo deveria ser feito...Fechou os olhos e a luz, caminhou em passos largos sentindo o peso da falta de suas asas,flachs de luz irradiavam de suas costas...Caminhou até o mar e o olhou fixamente,suas ondas pareciam clamar pela sua presença,acariciavam seus pés delicadamente enquanto a espuma branca deixava desenhos sobre a areia.

A ânsia de seus movimentos dava indícios de que ele estava a desejar dar-lhe um abraço terno,de conforto e ela ansiava por aquele abraço. Seu som parecia sussurrar-lhe palavras que não conhecia, cativantes, tocando-lhe profundamente a alma e de alguma forma aliviando sua dor...De repente ela sentiu um desejo enorme de ser sugada por aquelas águas até as suas profundezas.

Teve a certeza de que, sem as suas asas, lá era o único lugar onde ela poderia realmente se encontrar e esquecer o medo...Sabia que ali acabava a sua procura pois ali ela si encontraria... Passou a caminhar em direção às águas,imaginando como seria o seu mais profundo lugar,tendo a certeza de que era lá onde deveria estar.

De repente, como num raio neon, a sua audição alcançou o significado dos sussurros do mar que dizia-lhe para acalmar-se que suas asas um dia iriam mais uma vez voltar e sobre ele,em suas paisagem,ela iria de novo voar. E naquele momento ela sentiu um amor absoluto e indescritível pelo mar,perdoando mais uma vez a quem sempre está a suas asas a cortar e percebeu fios de seda invisíveis das suas costas exalar, tendo a certeza naquele pequeno instante de paz, que é dentro dela mesma que o encontro do mar com a lua se faz...Retornou a quem é sem ser,fingindo que a tudo estava a esquecer...

Mas aquele dia triste em sua alma para sempre irá permanecer.

Dica Cardoso

2 comentários:

Platão disse...

Não sabe a dor que sentí ao ler isso...Mas é sublime!Uma dor sublime!
Lindo!

Anônimo disse...

Se tivesse lido esse seu poema há um mês atRás talvez não entendesse a profundidade dele. Hoje porém...chorei. Triste....mas pergunte-se....será sempre assim...imutável?

Aurora.

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