segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Os sonhos


Adormeci na esperança de sonhar. Entreguei ao destino a minha alma que se despreendeu suavemente de meu corpo, evaporando-se na brisa suave que a noite levantou. Hoje quero voar, terei forças, quero ser levada pelos sonhos, deixando aqui sobre o leito perdido o meu corpo inerte. Hoje deixei-me ficar, esperando que o clamor do meu ser fosse muito para lá das dimensões que nos separam dos sonhos, e que me dessem asas. Abandonei-me à sorte, deixando o destino encontrar-me em qualquer viela, num beco perdido do universo vasto onde eu sei que lá existes, apesar de nunca ter te visto. Entrego-me ao febril desvario que me força à imobilidade, à morbilidade, extinguindo-me a esperança e apagando em mim a luz que aos sonhos faz chegar, cruzando mares, oceanos, galáxias, no espaço vazio das palavras que nascem por entre os dedos. Espero a salvação, o beijo prometido das canções, o toque dos dedos dos sonhos sobre a pele em uma tela pintada, para despertar-me da letargia, para soltar-me deste feitiço que me aprisiona, me esgota e me invade a mente de pesadelos, apagando em mim a luz da presença sonhadora. Vêm, segue o mapa das estrelas, para me encontrar, unir os pedaços separados de um só... Porque o fim dos tempos está próximo, e a ligação entre nós teima em fechar-se... Sonhos... Estou a te esperar!



Dica Cardoso

Um comentário:

M.E(SP) disse...

Uau! A mais BELA adormecida que já ví!
Lindo texto!Continue assim,voando nas asas de sua imaginação e chegará longe!

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